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É certo que a Montis tem acordos de gestão com outros privados, como sejam a ALTRI e a Herdade do Freixo do Meio.
O que esta fotografia ilustra é, no entanto, um bocadinho diferente, é o acordo com uma família, e não com empresas, para a gestão da propriedade da Cerdeirinha, em Valadares, São Pedro do Sul.
Para a Montis, que participa num projecto europeu que tem como objectivo reforçar a participação privada na conservação da natureza, é muito importante termos este acordo de gestão, por dez anos, em que procurámos garantir os objectivos dos proprietários, no quadro de uma gestão para os próximos dez anos em que a conservação da natureza é a prioridade.
Trata-se de uma propriedade numa zona com boas produtividades de eucalipto e com fogos recorrentes, ou seja, uma situação comum em milhares de hectares da zona mais litoral do País, entre Setúbal e a fronteira com a Galiza.

Cansados de cortar os eucaliptos da propriedade sempre queimados, os proprietários, depois dos fogos de Outubro do ano passado, estavam à procura de qualquer coisa que fosse mais interessante, não do ponto de vista económico – o rendimento da propriedade não era fundamental para a família e, em qualquer caso, no regime em que vinha a ser gerido, esse rendimento não era grande coisa – mas que ao menos fosse diferente e pudesse dar a esperança para o futuro.
Fomos conversando, a Montis evidentemente não se compromete a evitar o fogo (nem sequer em tentá-lo), mas concordámos em experimentar uma gestão diferente, contando com o fogo, mas aproveitando a regeneração natural para fazer uma mata que conviva melhor com o fogo e permita aos proprietários pensar que estão a contribuir para qualquer coisa de que os seus filhos, netos, bisnetos e quem vier depois, se possa orgulhar e os faça sentir bem.
Os eucaliptos que lá estão lá ficarão, não serão plantados novos nem se beneficiará a sua regeneração natural. Se durante o tempo de gestão da Montis forem cortados, uma decisão que compete à Montis no quadro do acordo de gestão, o seu rendimento é dos proprietários. Iremos trabalhar, nos próximos dez anos, na demonstração de que há vida para além do eucalipto, favorecendo a regeneração do carvalhal que já hoje está presente, mais nuns sítios, menos noutros, esperando que ao fim dos dez anos de acordo de gestão tenhamos conseguido demonstrar que é não só possível, mas mais compensador, adoptar um modelo de gestão mais próximo dos processos naturais.
Se quiserem conhecer a Cerdeirinha, e dar uma primeira ajuda, incluindo com opiniões sobre o modelo de gestão, o nosso próximo voluntarido, a 11 de Agosto, é nesta propriedade, com a Rita, a segunda a contar da esquerda na fotografia e que esta semana começou a trabalhar na Montis, a orientar o dia.
Para a Montis é um caminho novo, esperando que seja apenas a primeira oportunidade para ajudarmos proprietários que querem uma gestão diferente, mas não sabem bem que opções fazer.
Se tudo correr bem, será possível ver em concreto o que pode ser feito, bem como os resultados que se podem obter, decidindo depois os proprietários se isso lhes interessa.
Como em todos os caminhos novos, não temos a certeza do que conseguiremos construir ao fim dos dez anos de acordo, mas se não experimentarmos não temos maneira de saber.
Obrigado senhora dona Leopoldina e senhor José Rodrigues pela oportunidade que nos dão.

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