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Logo depois do fogo de 15 de Outubro, fez-se um post a explicar por que razão iríamos ficar de braços cruzados durante uns tempos.
Hoje a equipa técnica da Montis esteve em Vermilhas e trouxe algumas fotografias.

Logo após o fogo havia três possibilidades: ou a copa dos carvalhos tinha sido pouco afectada, e rebentariam de copa – a situação mais favorável -; ou a copa tinha sido afectada, mas a raiz não e rebentariam de toiça (ou de pé, como lhe queiram chamar), que era o mais provável face à intensidade do fogo; ou as árvores tinham morrido (o que ainda pode acontecer com algumas).
Neste momento o que sabemos é que a rebentação de pé está com bastante bom aspecto.

A larga maioria das árvores parecem estar a reagir, procurando desesperadamente repor o equilíbrio entre parte aérea, que capta energia, e parte subterrânea, que fornece grande parte dos nutrientes.

O que queremos fazer é fácil de explicar: conduzir esta regeneração de modo a que no próximo fogo, mais ou menos daqui a dez ou quinze anos, o copado do carvalhal esteja muito mais fechado, com áreas em que a sombra já consiga controlar os matos, de maneira a ter melhores condições de resistência ao fogo (não quer dizer que as árvores não ardam, mas com um copado denso e fechado é mais difícil a transmissão do fogo às copas, o vento tende a diminuir e a humidade tende a ser maior, o que permite alterar os efeitos do fogo e manter o carvalhal em melhores condições, mesmo que arda).
Iremos com certeza começar a escolher algumas guias e eliminar outras, não temos ainda certezas como, em que época, de que forma, mas esperamos poder contar com as opiniões de quem vem ao colóquio do dia 23, mesmo sem vir a esta propriedade.
Agora sim, é tempo de reagir ao fogo, descruzar os braços e gerir a regeneração natural de maneira a que, com o mínimo de esforço, tenhamos um carvalhal maduro o mais cedo possível. 

henrique pereira dos santos