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Esta imagem é de hoje, 9 de Junho, e é do baldio da Granja, em Valadares.
A relação da Montis com este baldio, de que gere pouco mais de dois hectares, tem uma história que vale a pena contar, por ser tão fora do que seria o enquadramento normal dos acordos de gestão de terrenos da Montis.
Tipicamente a Montis não aceita acordos de gestão que sejam por menos de dez anos. Preferíamos vinte, mas entendemos os receios dos proprietários e rendemo-nos à evidência de que dez anos é, apesar de tudo, bastante razoável para as duas partes.
No caso deste baldio aceitámos geri-lo por apenas dois, contra tudo o que achamos que deve ser feito e que temos praticado.
Por um lado o presidente da Junta tinha eleições e não queria obrigar quem lhe sucedesse a ficar com um acordo sobre o qual não havia experiência anterior.
Por outro tratava-se de uma pequena área, cerca de dois hectares, quase completamente coberta de acácias e a Montis achou que pelo menos o que ficasse feito em dois anos, no controlo de acácia, não era irrelevante e seria o suficiente para fazer algumas acções demonstrativas.
Durante esse tempo não investimos fortemente na gestão da área, mas fomos fazendo algumas acções, quer num colóquio sobre invasoras que fizemos, quer com voluntários, quer com a nossa equipa técnica.
Neste Inverno, na sequência dos fogos, houve um deslizamento de terras que ainda tornou a situação mais confusa.
Com as eleições para a Junta de Freguesia passadas, estamos a ultimar a revisão do acordo de gestão, agora já para dez anos e com uma melhor definição de limites e, provavelmente por influência do que temos feito neste baldio, uma família de Valadares resolveu ser a primeira família a ceder-nos a gestão de um seu terreno.
Ao que me dizem as pessoas que estiveram hoje no voluntariado, a diferença entre o que existia no início e o que se vê agora é abissal.
As acácias estão em muito menor número, reflectindo mais os efeitos do deslizamento de terras que o trabalho de descasque feito, talvez, mas com certeza não terá sido inútil o que fizemos, e os carvalhos e sobreiros estão a aparecer em força.
Essencialmente o que vamos fazer é procurar desequilibrar a competição a favor dos carvalhos e sobreiros, de que iremos cuidando e seleccionando as varas com maior potencial de crescimento, contra as acácias, que iremos arrancando e descascando.
A surpresa pela diferença do que estava no início para o que está hoje foi bastante grande para quem lá esteve hoje a trabalhar.
Temos tido muita sorte na evolução da vegetação dos terrenos que gerimos, tem havido sempre resultados bem melhores do que esperávamos quando começámos a gerir cada um dos terrenos.
A sorte é uma coisa que dá muito trabalho: obrigado aos sócios, aos outros que nos apoiam e muito obrigado aos voluntários, esperamos que tenham gostado, voltem e tragam um amigo também.