print
No fim-de-semana passado (30 Junho e 1 de Julho) a MONTIS recebeu no baldio de Carvalhais, S. Pedro do Sul, voluntários da VO.U. pela Natureza.

O Thyago e Margarida, que já há muito tem vindo a acompanhar as nossas atividades, desde Outubro de 2017, no caso do Thyago e a Margarida, seguiu posteriormente o mesmo caminho. Tivemos também, pela primeira vez, o acompanhamento, da Sofia Spormann como monitora da atividade, depois de ter estado como voluntária em iniciativas passadas.


Tanto no sábado, como na tarde de domingo, as atividades centraram-se na extremidade leste da propriedade, onde, a 23 de Fevereiro de 2017, se realizou o 1º fogo controlado.  Nesta área é possível encontrar-se vários carvalhos, tanto de regeneração natural, como de plantações e sementeiras posteriores ao fogo. Todas ou quase todas estas árvores se encontram quase engolidas pela vegetação circundante – principalmente carqueja, urze e silvas.
Fomos à procura de cada um destes carvalhos, limpámos os matos à sua volta, deixando-os no mesmo local. Esta técnica foi usada por vários motivos: fornecer vantagem competitiva a estas árvores, manter a humidade no solo, retardar o crescimento de nova vegetação, facilitar a deteção das árvores e ainda o aumento da acumulação de nutrientes no solo (uma vez que o material vegetal arrancado, ao permanecer no local, se irá decompondo).

Nos carvalhos, que estão a regenerar naturalmente após terem sido afetados pelo fogo controlado realizado,  experimentámos uma nova técnica de “poda” sugerida por Carlos Aguiar.
Estando a raíz intacta, continua bombar nutrientes para o resto da planta. Seleccionando algumas varas espera-se que o crescimento seja potenciado e árvore atinja mais rapidamente um tamanho que lhe permita conviver com o fogo. Experimentámos uma variante em que se beneficia uma vara, como se pretende, mas sem reduzir a superfície das folhas que captam a energia que alimenta a raíz.
Em vez de se podarem as varas, apontam-se para o solo, torcendo-as ligeiramente, enquanto que as vara(s)  a selecionada(s) são amarradas à árvore queimada, mantendo-as na vertical, com o objetivo de potenciar o seu crescimento, através de fenómenos de fototropismo positivo e gravitropismo negativo.

Claro está que isto não foi tudo ouro sobre azul e tivemos que parar a atividade e abrigar-nos no carro, por causa da chuva intensa que volta e meia aparecia e regava as sementeiras e plantações.

Domingo de manhã, tivemos a atividade de ciência cidadã. Nesta, ao contrário das anteriores, não escolhemos um grupo para identificar, nem tivemos ninguém especializado em campo, para além da grande ajuda de Nuno Neves, que esteve connosco todo o Domingo. Assim, fomos andando e tentando identificar o que íamos vendo, com os guias de campo, binóculos e com as novas aplicações que existem hoje em dia (são de facto muito úteis quando se tem dúvidas, ex.:  INaturalist). A lista de espécies (que se encontra abaixo) não foi numerosa, mas houve uma maior envolvência por parte dos voluntários.


Espécies identificadas dia 1 de Julho de 2018:
Trichoptera sp. – mosca-de-água (um inseto invulgar que faz o seu abrigo portátil com materiais que encontra)
Dytiscus marginalis – escaravelho-de-água 
Gerris lacustris – alfaiate 
Tuberaria guttata –planta com flor 
Melitaea phoebe – borboleta 
Podarcis hispanica – lagartixa-ibérica
Alectoris rufa – perdiz-vermelha (observamos uma perdiz fêmea, com cerca de 10 crias a acompanhá-la) (não deixa de ser irónico visto que a única objecção que tivemos ao fogo controlado foi da Associação de Caça e Pesca por, supostamente, estarmos a prejudicar as perdizes) 
Digitalis purpurea – Dedaleira (de cor branca, aparentemente mais rara que a tonalidade arroxeada) 
Calopteryx sp. – libélula 
Salvia sp. – planta 
Rana iberica – rã-ibérica
Coccinella septempunctata – joaninha 
Vipera latastei – víbora-cornuda


Resumindo, “poucos mas bons” –  foi com esta frase que começou este voluntariado e, de facto, constatou-se isso mesmo. Não é número de espécies que identificamos, conduzimos ou o número de voluntários que temos, não se trata de números, mas sim de fazermos os possíveis para obtermos os resultados esperados e ter, sempre, um espírito crítico quando estes surgem. 

Carolina Barbosa

copyright 2018 montis